Ansiedade Infantil

Por Dra. Franciane Nascimento

Olá mamães, vamos falar hoje de um outro problema que aflige grande parte de nossas crianças e tem aumentado muito segundo as pesquisas.

A ansiedade já é um transtorno conhecido pelos adultos, é comum um adulto se autodiagnosticar com transtorno de ansiedade e seus possíveis desdobramentos como fobia, síndrome do pânico, entre outros, e logo ser direcionado para um tratamento específico, porem com as crianças isso não é tão fácil e evidente.

Em crianças, principalmente nas menores, verifica-se que diferentemente dos adultos, estas não conseguem reconhecer seus medos como exagerados, ou irracionais, ficando muitas vezes perdidas com sentimentos e sensações desconexas.

Pesquisas do Centro de Atendimentos e Pesquisa de Psiquiatria Infantil e da Adolescência  apontam que cada 100 crianças e adolescentes com idades entre seis e 16 anos, 12 sofrem de transtorno de ansiedade, e este número vem aumentando, só nos últimos 10 anos, o crescimento registrado foi de 60%, os estudos registram também que as meninas são mais acometidas que os meninos e, em metade dos casos.

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O que difere um quadro de ansiedade natural de um patológico, uma vez que a ansiedade é um sentimento inerente ao ser humano e também as crianças?

Em termos gerais a ansiedade é entendida como um sentimento vago e desagradável de medo, apreensão, caracterizado por tensão ou desconforto derivado de antecipação de perigo, de algo desconhecido ou estranho. Isso ocorre com o propósito de preparar o organismo para reação de proteção diante de situações de perigo. Mecanismos cognitivos, motivacionais, afetivos ou emocionais e comportamentais são ativados juntamente com as respostas fisiológicas e é nesse conjunto de modificações emocionais e físicas é que encontramos a base dos transtornos de ansiedade (Assis, Ximenes, Avance, & Pesque, 2007; Mutschele, 2001; Sousa, et al., 2012

As expressões de ansiedade na criança ocorrem de modo diferente nas várias idades. Nos bebês e lactentes podemos observar choro frequente, dificuldades alimentares e no sono. Já na criança maior, de 2 a 3 anos, verificamos inquietude, solicitação frequente do adulto, irritabilidade, dificuldades alimentares e não atendimento a regras com episódios de birra. Já nas de 5 a 6 anos, verificamos curta atenção com permanência limitada e troca constante de atividades, inquietude, não respeito à privacidade do outro, insatisfação e insegurança. Nos escolares, acima de 7 anos, observam-se dificuldades na atenção, principalmente para tarefas de rotina e escolares, inquietude, rapidez exagerada e displicência em suas atividades, dificuldades na socialização, e outras situações.

A Ansiedade é um sentimento natural tanto na infância como em qualquer outra etapa da vida. Crianças de 8 meses de idade podem apresentar sintomas de ansiedade sempre que se separam dos pais, isto é normal. Entre os 6 – 8 anos de idade, a ansiedade se volta para o desempenho escolar e o relacionamento com os coleguinhas. Crises de ansiedade também podem ocorrer quando a criança passa por mudanças significativas como troca de escola ou de casa, falecimento de entes queridos, chegada de novos irmãozinhos, separação dos pais e etc.

É importante que estejamos atentos, pois o limite entre o normal e patológico, está justamente, no quanto isso repercute no comportamento da criança, não é normal uma criança ser excessivamente preocupada com o futuro, não é natural uma criança apresentar recorrentes dores de cabeça, diarreia, palpitações, dificuldade para dormir, medos excessivos, dificuldade em se concentrar e interagir com os colegas, apresentar hábitos como roer a unha, ou se auto machucar, arrancar cabelos , se arranhar, ter excessivos períodos de birras, ficar excessivamente agitada por longos períodos e dias. Se um desses sintomas vem se apresentando com recorrência, salvo avaliação psicológica, é possível que essa criança esteja apresentando um distúrbio de ansiedade.

O Distúrbio de ansiedade pode ser desencadeada por problemas psicológicos, alterações nos transmissores químicos cerebrais, doenças na tireoide, e também por fatores genéticos (estudos comprovam que 50% de pacientes com síndrome do pânico, apresentam pelo menos um parente com distúrbio de ansiedade).

Como os pais devem proceder?

  • Ensine seu filho(a) a inspirar e expirar quando estiver ansioso, a respiração é uma das grandes ferramentas para regularizar o ritmo cardíaco, e assim a criança possa voltar a se concentrar e se acalmar.
  • Quando encontrar o seu filho(a) muito irritado, se ofereça a ouvir o que está acontecendo. Caso não queira conversar naquele momento, deixe claro que está à disposição para conversar sobre o que está acontecendo. Diga que você já se sentiu assim, e quando conversou a respeito se sentiu melhor.
  • Estabeleça rotinas, as crianças não sabem lidar com mudanças de rotinas repentinas, por exemplo, se a criança tem pais separados e tem o hábito de passar o final de semana com um dos pais, caso isso mude, comunique a criança previamente.
  • Ajude seu filho(a) a criar a sua rotina com os horários, por exemplo, ao chegar da escola determine o horário para fazer os deveres, arrumar a mochila, brincar, tomar banho etc.
  • Evite que crianças pequenas assistam jornais com notícias desagradáveis, fatalidades ou ouçam conversas de adultos com comentários sobre esses assuntos.
  • Ofereça saídas práticas. Se estiver muito ansioso por causa de um evento, ajude-o a se distrair, sem fazer comentários sobre seu comportamento. Se estiver comendo muito rápido, peça que acompanhe o seu ritmo;
  • Proponha atividades físicas, elas relaxam e colocam a criança no presente.
  • Se houver necessidade não hesite em procurar ajuda profissional.

Franciane

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