Coluna Psicóloga

Mamães, aqui no Mãe de Meninas um dos nossos objetivos é  ter profissionais conceituados que possam trazer informações com conteúdos mensais para vocês. E hoje estreia aqui no blog mais uma nova colunista, a Dra. Franciane Nascimento  que é psicóloga,  formada há dez anos, pós graduada em Clínica em Psicanálise, foi pesquisadora da USP em depressão pós-parto durante três anos, trabalha com atendimento clínico a pais, crianças e adolescentes, realiza treinamento e atendimento grupal focados na fase materno-infantil e adolescência com pais, professores e cuidadores.

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Dra. Fran, desejamos MUITO sucesso!!!

Depressão infantil

Por Dra. Franciane  Nascimento

Olá mamães, gostaria de começar falando sobre um assunto que atinge a grande maioria da população e tem atingido em cheio as nossas crianças e adolescentes, um assunto que tem preocupado a nós profissionais e também pais, a depressão infantil.

Ao contrário do que a maioria dos adultos pensam, a criança pode sim sofrer depressão, e as estimativas são alarmantes. Segundo a organização mundial de saúde (OMS), nos próximos 20 anos, a depressão deverá tornar-se a doença mais comum do mundo, atingindo mais pessoas do que o câncer e os problemas cardíacos.

E pensando nos pequenos, as estatísticas são preocupantes, visto que nos últimos 10 anos, de acordo com a OMS, o número de diagnósticos em crianças entre 6 e 12 anos passou de 4,5 para 8%, o que representa um problema ascendente. “Setenta por cento dos adultos que apresentam quadro de depressão crônica têm histórico desde o período da infância.

Pensando nas nossas meninas, os dados também indicam que 1,4 milhões delas, com idade de 12 e 17 anos, já experimentaram um episódio depressivo. Diante de tudo isso, é necessário começarmos a pensar sobre o assunto.

O que pode levar a uma quadro de depressão infantil?

Em termos gerais, os transtornos mentais podem ser acionados por qualquer gatilho – entenda-se, situação ou experiência frustrante que a criança tenha enfrentado, entre elas, podemos citar separação dos pais, morte de um parente, bullying na escola, abandono, abusos físicos ou psicológicos, mudanças bruscas e alterações no padrão de vida. No entanto, o estilo de vida que levamos pode favorecer a manifestação da doença, muitas crianças estão com a agenda lotada de compromissos, o que eleva o grau de estresse, dormem mais tarde, ficam fechadas em ambientes como apartamentos e shoppings, usam aparelhos eletrônicos excessivamente, sob risco de aumento de ansiedade e restrição do contato social, e acabam convivendo menos com seus pais, o que faz com que a afetividade, se torne cada vez mais escassa, e os vínculos afetivos acabem sendo comprometidos, e algumas vezes até rompidos, fazendo com que esses pais não sejam reconhecidos internamente por essas crianças, como sujeitos de amor e de cuidado.

Considerando também os fatores genéticos, a ciência já comprovou que, quando há episódios de depressão na família, a probabilidade da criança desenvolver algum transtorno mental aumenta consideravelmente. Se no caso as vítimas forem mãe ou pai, as chances podem ser até cinco vezes maiores. Além disso, um distúrbio psiquiátrico, pode abrir precedente para outro. Estudos conduzidos em 2012 pelo Hospital das Clínicas (SP) mostram que mais de 50% das crianças ansiosas, experimentarão, pelo menos, um episódio de depressão ao longo da vida.

Dentro de tudo isso, como perceber que a criança está passando por um quadro depressivo?

A criança diferente do adulto apresenta alguns sintomas desconhecidos comumente num quadro depressivo adulto, como irritabilidade e agressividade, o que muitas vezes tem dificultado alguns profissionais a diagnósticos exatos da doença, levando essas crianças muitas vezes a serem diagnosticadas erroneamente com TDHA ou hiperatividade.

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Para que a criança seja diagnosticada com depressão infantil, é necessário que sejam identificados pelo menos cinco sintomas abaixo, com durabilidade de duas semanas, para comprovação do quadro, sintomas esses, previstos no Manual de Estatística e Diagnóstico de Transtornos Mentais:

  1. Alteração de humor, com irritabilidade e ou choro fácil;
  2. Ansiedade;
  3. Desinteresse em atividades sociais, como ir à escola, brincar com os amigos ou com brinquedos;
  4. Falta de atenção e queda no rendimento escolar;
  5. Distúrbios de sono, como dificuldade pra dormir ou ter sono o dia inteiro;
  6. Perda de energia física e mental;
  7. Reclamações por cansaço ou ficar sem energia;
  8. Sofrimento moral ou insatisfação consigo mesmo, sentimento de que nada do que faz está certo;
  9. Dores na barriga, na cabeça ou nas pernas;
  10. Sentimento de rejeição;
  11. Condutas antissociais e destrutivas;
  12. Distúrbios de peso, emagrecer ou engordar demais;
  13. Enurese e encoprese (xixi na cama e eliminação involuntária das fezes).

O que podemos pensar em termos de prevenção da doença?

  • Estabeleça vínculos afetivos genuínos com seu filho(a), verbalize como ele é importante, o quanto foi desejado pelos pais, o quanto ele é amado, e perceba e reconheça todas as coisas boas que ele faz.
  • Crie oportunidades para que ele fale sobre seus sentimentos, e procure sempre tentar dar nome ao que seu filho(a) está sentindo, ao contrário do que pensam alguns pais, as crianças muitas vezes não sabem identificar o que estão sentindo e acabam ficando mais confusas quando sentimentos ruins, veem à tona, dizer que você sabe como ele se senti, é algo simples, porém capaz de torná-lo acolhido diante da situação.
  • Ouça, estabeleça a rotina de conversar com seu filho sobre o dia dele (a), uma boa escuta significa estar alerta para as coisas que ele não está dizendo e estar preparado para conversar sobre coisas que a criança tenha dificuldade de falar. Isso pode ajudar a remover a máscara de agressividade quando eles forem feridos por algo ou alguém, nesses diálogos evite frases como:” isso é bobagem”, e esteja preparado emocionalmente para aguentar críticas e descontentamentos.
  • Não insista em fazer a criança ruminar os sentimentos negativos,ela diz o que faz sentido com suas próprias palavras. Ao contrário dos adultos, elas não sentem necessidade de analisar as coisas profundamente. Quando um adulto começa a perguntar demais a uma criança o por que dela se sente de tal forma, ela  sente perdida. O desenho pode ajudar uma criança a expressar os sentimentos, utilize como uma ferramenta em casa e casos difíceis.
  • Procure não levar problemas do casal ao conhecimento dos filhos e nem brigar na presença deles, as crianças muitas vezes não tem preparo emocional para lidar com brigas e alguns problemas referentes aos pais causam confusões de sentimentos nesses, uma vez que os dois são seus maiores objetos de amor.
  • Ensine o seu filho a como reagir no caso de assédio moral (“bullying”). Diga que ele sempre pode pedir conselhos a você e que ele tem todo o direito de dizer a alguém se algo de ruim acontecer com ele. Diga a ele que é errado zombar de uma pessoa, e que se eles forem vítimas disso, precisam conversar com alguém sobre o assunto.
  • Estabeleça uma relação de confiança com seu filho, se prometer algo, cumpra, o incentive a confiar em você.
  • Cuide bem da criança quando ela estiver sofrendo.A perda de um membro da família, um amigo, ou animal de estimação, ou a separação dos pais, pode afetar uma criança mais do que parece, esteja atento ao processo, e esteja sempre ao lado da criança, procurando compreender essa dor.
  • Procure ajuda profissional se o seu filho ficar deprimido.Apesar de todos os métodos acima serem ótimas sugestões para ajudar a prevenir a depressão, às vezes as coisas são muito difíceis para  ele ,  e para você, por mais que você se esforce. Neste caso, procure ajuda profissional e não se sinta mal por isso; reconhecer quando você precisar de ajuda é um grande passo.

“Sem a educação das sensibilidades, todas as habilidades são tolas e sem sentido”

Rubem Alves

 

Dra. Franciane Nascimento

Rua Apeninos, 429 – Paraíso – São Paulo

Telefone (11) 94850-1854

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