Associação Americana de Pediatria aprova uso de creme dental com flúor desde o primeiro dente do bebê

Por Dra. Marilia Vanzelli

Nas prateleiras de supermercados ou farmácias, a maior parte das embalagens dos cremes dentais indicados para crianças de 0 a 3 anos, destaca: “Sem flúor” ou “Não contém flúor”. Há pais de filhos pequenos que têm receio de aplicar nos dentes das crianças as versões com a substância. No entanto, de acordo com uma nova recomendação da Academia Americana de Pediatria, um dos órgãos mais influentes do mundo quando se trata de saúde infantil, os primeiros dentes dos bebês devem, sim, ser higienizados com cremes que contêm flúor.

Apesar de esta ser a recomendação oficial do órgão brasileiro de odontopediatria desde 2009, somente agora a Associação Americana de Pediatria se manifestou a favor do uso.

Havia o medo de que o creme dental engolido pelos bebês levasse à fluorose, que provoca manchas brancas nos dentes permanentes, antes mesmo de sua formação. A preocupação era ainda maior, considerando-se que a água corrente que sai de nossas torneiras também já vem com uma certa quantidade de flúor. Porém, na verdade a fluorose é ocasionada pelo excesso de flúor ingerido pela criança, sem o controle dos pais. A pasta deve ser usada, mas na quantidade certa recomendada pelo odontopediatra e sempre sob supervisão de um adulto. Os pais devem ficar atentos à concentração de flúor no creme dental escolhido, à quantidade aplicada na escova ou na dedeira e se responsabilizar pela escovação dos filhos, principalmente dos menores. Para as crianças que adoram escovar os dentes sozinhas, recomendo que primeiro o responsável escove, e depois a criança, sem acrescentar mais pasta de dente.

Para evitar qualquer tipo de problema com a escolha da pasta, e do momento certo para iniciar o uso da escova e do creme dental para fazer a higiene bucal, é fundamental que os pais levem os filhos ao odontopediatra assim que nascer o primeiro dente. As orientações dependem da rotina alimentar e das características de cada criança. Um bebê que já tem cinco dentes, mas não tem contato com o açúcar, pode demandar uma frequência e uma maneira de escovação diferente de outro, com apenas um dente, e que come biscoitos diariamente. Depois, na maior parte dos casos, as visitas ao consultório podem continuar acontecendo a cada seis meses.

Como escolher a pasta?
Então, os bebês podem usar pastas de dente comuns desde o início da dentição, mas, de volta às prateleiras do supermercado, os pais devem ler o rótulo e procurar por produtos que tenham uma concentração de flúor entre 1100 e 1450 ppm (partes por milhão). Se tiver concentração inferior a 500 ppm, não protege das cáries. Enquanto a criança ainda não tem os dentes molares (os do fundo, que contêm mais sulcos e fissuras, locais de difícil alcance da escova e, portanto, favoráveis para o acúmulo de bactérias), a limpeza pode ser feita com uma dedeira ou gaze. Depois disso, o uso da escova de dentes torna-se obrigatório. Para escolher, basta seguir a indicação de idade especificada na embalagem.

Quantas vezes e quanta pasta colocar?
Em geral, o ideal é escovar pelo menos de manhã e à noite para os menores de 2 anos. Mesmo que você não consiga supervisionar as outras limpezas do dia, garanta que a última, antes do seu filho ir para a cama, seja bem feita, de preferência por você. Comer somente nos horários certos também ajuda na prevenção da cárie. Se a criança se alimentar várias vezes ao dia, fora dos horários das refeições e dos lanches, os dentes ficam mais expostos à sujeira. Uma das funções da saliva é limpar restos alimentares e micro-organismos que favorecem a infecção por cáries. Comer a toda hora, principalmente alimentos que contenham açúcar, sobrecarrega esse mecanismo, que acaba não dando conta do recado. Sem contar, é claro, os outros problemas associados a esse comportamento, como a obesidade.

Os pais também devem ficar atentos à quantidade de pasta usada em cada escovação. Isso também pode ser alterado de acordo com a orientação profissional. A princípio, a recomendação para as crianças de até 2 anos é uma quantidade que equivale ao tamanho de um grão de arroz cru. Depois disso, os pais podem aumentar gradativamente, até o tamanho de um grão de ervilha para os maiores.