CÂNCER DE PRÓSTATA

Por Dr. Emerson Zani

ca-prostata

Depois do Outubro Rosa, campanha destina às mulheres para a prevenção do câncer de mama, o foco agora são os homens com a campanha Novembro Azul. Idealizada pelo Instituto Lado a Lado Pela Vida e realizada em parceria com a Sociedade Brasileira de Urologia, a campanha objetiva conscientizar a população sobre a importância dos exames anuais para o diagnóstico do câncer de próstata. Ao longo do mês são realizadas ações em todos os Estados brasileiros que incluem a iluminação na cor azul de pontos turísticos e monumentos, palestras informativas e intervenções em locais de grande circulação. O movimento surgiu na Austrália, em 1999, denominado Movember, cujo nome tem origem na junção das palavras inglesas “moustache” (bigode) e “november”. Vários países adotaram a campanha e em muitos deles há reuniões entre os homens com o cultivo de bigodes, ao estilo Mario Bros – símbolo da campanha, onde são debatidos, além do câncer de próstata, outras doenças como o câncer nos testículos e saúde do homem.

Campanhas desse tipo são de grande importância e necessárias, pois o câncer de próstata é um dos tumores masculinos mais frequentes e muitos homens ainda relutam em fazer exames rotineiros para detectá-lo precocemente. Uma pesquisa da Sociedade Brasileira de Urologia entrevistou cinco mil homens em 2013 e revelou que 47% dos entrevistados nunca realizaram exames para detectar o câncer de próstata e 44% jamais se consultaram com o urologista. O câncer de próstata é o segundo tumor maligno mais comum nos homens, perdendo apenas para o câncer de pele, representando cerca de 10% de todos os cânceres diagnosticados em homens. Ao longo da vida, um em cada seis homens irá desenvolver o câncer de próstata. No Brasil, segundo o Instituto Nacional do Câncer, estima-se em 2016 o surgimento de 61.200 novos casos, ou seja, 62 casos para cada 100.000 brasileiros.

O que é a próstata e qual a sua função?

A próstata é uma glândula localizada na região pélvica do homem, apresentando um formato semelhante ao de uma noz. Situa-se logo abaixo da bexiga e à frente do reto, sendo atravessada pela uretra, canal que se estende desde a bexiga até a extremidade do pênis e por onde passa a urina para ser eliminada. A principal função da próstata é produzir uma secreção fluida para nutrição e transporte dos espermatozoides que, juntamente com as secreções das vesículas seminais e das glândulas periuretrais, constituem o sêmen, que é o líquido expelido durante a ejaculação.

Como surge o câncer de próstata e quais são os fatores de risco para desenvolvê-lo?

As reais causas do câncer de próstata ainda são desconhecidas e o seu desenvolvimento está relacionado sobretudo ao envelhecimento masculino. Apesar de poder ser diagnosticado em jovens, inclusive abaixo dos 40 anos, o risco aumenta significativamente após os 50 anos, correspondendo a 40% dos tumores nessa faixa etária. Alguns grupos apresentam maior risco para desenvolvimento da doença: aqueles com parentes de primeiro grau que tiveram a doença e os indivíduos da raça negra. Homens com um parente de primeiro grau acometido pelo câncer apresentam risco 3 a 4 vezes maior de desenvolver a doença, e quando há dois familiares acometidos, o risco chega a ser 9.5 vezes maior. Homens com parentes próximas acometidas por câncer de mama em idade precoce (menos de 36 anos) também permanecem sob maior risco. Na raça negra, além de maior incidência do câncer de próstata, também há tendência a maior agressividade e estágios mais avançados da doença já ao diagnóstico.

Embora não se possa estabelecer claramente a importância da dieta, verifica-se maior incidência de câncer de próstata nos países ocidentais, onde predomina a ingesta de gorduras saturadas, carne vermelha e derivados do leite e cálcio. Em contrapartida, nos países asiáticos com ingesta rica em antioxidantes naturais, como raízes, vegetais, chá verde e gorduras insaturadas (ômega-3 dos peixes), a incidência é bastante reduzida. A obesidade, por sua vez, está associada a risco aumentado de doença avançada e de maior agressividade.

Sintomas do câncer de próstata

Nas suas fases iniciais o câncer de próstata se apresenta silencioso, ou seja, não causa nenhum sintoma específico, e seu diagnóstico só pode ser feito através da realização de exames de rotina. Em decorrência disso, sugere-se que todos os homens a partir dos 50 anos sejam avaliados anualmente através do toque retal e da dosagem sanguínea do PSA (antígeno prostático específico). Aqueles indivíduos com história de câncer de próstata na família (pai, irmãos, tios) ou da raça negra, devem iniciar essa avaliação aos 45 anos, devido ao maior risco associado de câncer de próstata. Caso o paciente opte por fazer apenas um desses exames, a chance de falha no diagnóstico é de 20% com o PSA e de 40% com o exame de toque, isoladamente. Mas quando os dois são realizados em conjunto, o índice de falha no diagnóstico cai para 8%.

Somente nas fases mais avançadas da doença podem surgir sintomas, como dificuldade para urinar, dor pélvica, sangue na urina, dor lombar e inchaço das pernas, bem como sintomas de metástases à distância (doença em órgãos distantes) com dor intensa nos ossos, principalmente na coluna, quadril e costelas, e até fraturas patológicas desses ossos ou compressões da medula vertebral com sequelas neurológicas. Nos casos ainda mais avançados a doença pode causar fraqueza, anemia e redução do apetite.

A importância do diagnóstico precoce

Anteriormente ao emprego do PSA, 70 a 80% dos diagnósticos de câncer de próstata eram motivados por sintomatologia e, de modo geral, incuráveis. A partir do uso do PSA e da intensificação do diagnóstico precoce, cerca de 80% dos casos de câncer de próstata passaram a ser diagnosticados assintomaticamente e, frequentemente, sem lesões palpáveis ao toque retal. Esse fato favorece as chances de cura e o emprego de terapias menos invasivas, ou apenas seguimento ativo em casos selecionados.  

Felizmente, apesar da incidência crescente do câncer de próstata, observa-se um declínio das taxas de mortalidade, que caíram cerca de 40% nos últimos 15 anos nos países mais desenvolvidos. Essa redução se deve principalmente ao diagnóstico precoce (através do toque retal e do PSA) e ao aperfeiçoamento das formas de tratamento.

Não existe prevenção para o câncer de próstata; no entanto, seu diagnóstico precoce é essencial para o tratamento curativo. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer, a detecção da doença em estágios iniciais aumenta em 90% as chances de cura.

Tratamento do câncer de próstata

O tratamento do câncer de próstata deve ser individualizado e baseado na agressividade potencial do tumor, no estágio da doença (localizado, localmente avançado ou avançado), nas condições clínicas gerais do paciente e na sua expectativa de vida, bem como nas preferências do paciente e do médico.

Nos pacientes com doença inicial, localizada na próstata, incluem-se como opções terapêuticas a vigilância ativa (acompanhar a evolução da doença e tratar se necessário), a cirurgia (prostatectomia radical – retirada total da próstata) e a radioterapia. Nos casos de doença localmente avançada, a cirurgia e a radioterapia são opções objetivando a cura do paciente. E, mesmo nos casos de doença avançada, há tratamento com intenção paliativa. Pode-se optar por terapia de bloqueio hormonal e quimioterapia, associadas ou não a procedimentos cirúrgicos para aliviar o fluxo urinário e medicações para proteção óssea. Esses tratamentos mais o adequado acompanhamento médico aumentam substancialmente a sobrevida do paciente ao lado dos seus familiares e amigos.

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