Cama Compartilhada – Por Luiza de Souza

Recebemos esse artigo escrito pela Baby Nurse Luiza de Souza (para quem não conhece a Luiza, já falamos do trabalho dela aqui no blog) e achamos tão interessante que resolvemos compartilhar aqui no blog!

Leiam abaixo o que Luiza fala sobre cama compartilhada:

Permitir que o bebê durma na cama do casal

Eu fico muito triste quando leio uma reportagem sobre morte do bebê na cama dos pais pois essa morte poderia ter sido evitada.

Meu trabalho tem sido de substituir a mãe nos cuidados com o bebê, quando essa não está presente ou disponível para fazê-lo.

Ao longo de muitos anos como cuidadora de bebês e orientadora de mães, tenho deparado com pediatras, psicólogos e mães que debatem o tema cama conjunta ou leito familiar versus bebê dormir em seu próprio espaço (berço). A discussão é polêmica mas a palavra final, o poder de decidir se o bebê dorme no berço ou na cama do casal é dos pais. Tal decisão, na maioria das vezes é tomada baseando-se na necessidade temporária, como por exemplo exaustão. O choro dos bebês pode muitas vezes ultrapassar necessidades de alimento, o que ocorre mais amiúde durante as primeiras semanas de vida. Rejeição a proteína contida no aleitamento seja esse natural ou em fórmulas processadas, frio, calor, cólica, fralda molhada/suja, etc…tudo isso faz com que o bebê proteste seu desconforto através do choro, por vezes constante, se estendendo pela noite, impedindo que os pais durmam e recuperem suas energias.

Por outro lado, ainda existem mães que acreditam que o fato do bebê dormir entre o casal ou ao lado dela na mesma cama, beneficia a criança. Acredita-se que leito familiar conjunto, promove maior apego entre mãe/filho. Essa crença não é somente leiga, alguns profissionais ligados ao bem estar da criança chegam a advogar que o fato de estar próxima ao corpo do adulto, ajuda a manter o ritmo respiratório do bebê durante os primeiros meses, diminuindo os riscos de sids ( morte súbita no berço sem causa aparente). Essa teoria não tem ainda o respaldo da ciência.

No meu livro Eat, Play, Sleep lançado em Fevereiro no Estados Unidos, pela editora Atria books Simon & Schusters, advogo que só o fato de sanar as necessidades do bebê com carinho, alimentá-lo, cuidar de sua higiene e mantê-lo entretido durante o dia, já consome quase todas as horas em que a mamãe permanece acordada. Não vejo necessidade de, depois de um dia inteiro de cuidados constantes, a mãe necessite manter o bebê colado ao corpo durante a noite, no intuito de promover apego . Mas, sou a favor de trazer o bebê para o leito conjugal quando a criança estiver passando por desconfortos, como por exemplo resfriados por alguma infecção bacteriana ou virose, dores de ouvido, ou a cólica que é o pesadelo das mamães. A cólica afeta 20 por cento dos bebês com menos de três meses. A famosa cólica pode ser: desconforto causado por vestimentas, alergias ao leite, algum componente contido nos produtos usados na higiene do bebê ou na limpeza da casa tais como: sabonetes, perfumes contidos em algum produto que a criança ou o adulto está usando; demasiado calor, frio ou a falta de imobilização, neste caso o enrolar o bebê em uma manta para dormir ajuda a amenizar desconforto. Em um desses casos que o bebê chora constantemente e a mamãe necessita confortá-lo por mais tempo, é conveniente que ela mantenha o bebê a seu lado, pois na maioria das vezes o desconforto volta quando o bebê é colocado no berço.

A mamãe, assim como o bebê, também necessita descansar, nem que ela tenha debruçado bebê sobre o peito, que é a posição em que eles se sentem confortáveis quando estão sofrendo qualquer tipo de desconforto, principalmente o desconforto provocado por excesso de gazes. Também advogo que durante os primeiros meses, a mamãe mantenha o bebê ao seu lado no berço ou de preferência em um moisés pois é mais fácil de locomover. A proximidade ajudará a mamãe conhecer o comportamento do bebê durante a noite e quando o momento dele ser colocado para dormir em seu próprio quarto chegar a mamãe já terá conhecimento de seu comportamento durante a noite. Conhecimento esse que não se adquire nos livros. A mamãe necessita viver o fato de ter seu bebê por perto para conhecê-lo, essa proximidade é que lhe dará segurança para relaxar um pouco sua vigilância, mais tarde quando o bebê não precisar dormir mais a seu lado.

Analise: se o fato do bebê dormir na cama dos pais entre o casal, do lado ou nos braços da mãe a favorece durante a noite nos primeiros três meses. E sabido também que bebes choram menos quando estão junto ao calor do corpo do adulto.

Quais as razões que me levam a ter reservas, quanto a criança dividir o leito com os pais? Vou enumerar…

1- A ciência não prova que o fato de dormir na cama com os pais promove maior apego com os mesmos.

2- O fato de dormir na mesma superfície pode colocar a vida do bebê em risco, pois um dos pais podem rolar sobre o bebê durante o sono, sufocando-o.

3- Não está provado que a morte súbita no berço é evitada quando a criança dorme com os pais.

4- Tenho ouvido o lamento de mães de crianças com sete ou mais idade que ainda não deixou o leito materno, acordando sempre que os pais tentam colocá-la em sua própria cama.

5- Ao meu ver, o fato de dormir na cama dos pais acaba por retardar a independência, que é fundamental para a criança se sentir segura mesmo estando sozinha.

6- Os profissionais que advogam a cama conjunta, não tem um método eficaz para promover a separação da criança dos pais, caso isso não aconteça voluntariamente.

7- Tal prática de cama conjunta, requer pais bastante responsáveis. O que acontecerá com a criança acostumada a dormir na cama do casal quando por ventura esses decidam separar-se? Como a criança reagirá, quando outro parceiro ocupar o lugar do pai também na cama, que a seu ver, e dela? A maioria das crianças que se acostumam a dormir junto ao corpo do adulto, certamente se recusarão a dormir da única maneira que elas sabem; (junto ao corpo dos pais,) Isso acontece também com nós adultos quando nos acostumamos a dormir em certa posição, ou com algo como por ex: um determinado travesseiro. Nós, podemos contornar a situação, levando o travesseiro conosco quando viajamos, no caso da criança, ela protestara e tentará a todo custo voltar a cama dos pais para conseguir dormir.

8- Mãe, você se sentirá confortável tendo seu filho dormindo na mesma cama com alguém que não é o pai? E seu novo companheiro, se sentirá a vontade dormindo com uma criança que não é dele? Ainda me lembro de minha velha professora do curso de Desenvolvimento da criança na faculdade em San Diego, CA. Ela sempre falava: Não apoie o comportamento que terá que ser corrigido mais tarde, segundo ela, mudar comportamento é tarefa muito difícil. Hoje a criança está acostumada a dormir com a mãe e amanhã ela terá que dormir sozinha no quarto dela. Já pensou como essa mudança será difícil para ela?

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